Manual técnico · depois da teoria

Como implementar um second brain governado

Esta página traduz o percurso conceptual em estrutura operacional: pastas, regras de entrada, memória do agente, decision registers, task cockpit, runbooks e revisão.

Não é a metodologia do teu amigo. É um manual técnico de referência: ele escolhe Claude, Obsidian, Notion, Markdown ou outro stack depois de decidir a sua constituição.

1. Princípios2. Arquitetura3. Routing4. Templates5. Memória6. Tarefas7. Revisão8. Checklist
01 · Princípios operacionais

As regras que impedem o sistema de virar depósito

Antes de implementar qualquer ferramenta, fixa estes princípios. São técnicos porque governam comportamento, não porque dependem de software.

P1

Uma coisa, um dono canónico

Cada objeto durável tem uma nota/local que manda nele. Outros contextos ligam para o dono e registam apenas a implicação local.

P2

Memória global é exceção

O que entra na memória do agente influencia conversas futuras. Só entra se for estável, compacto e reduzir repetição.

P3

Decisão não é resumo

Resumo conta o que foi dito. Decisão conta o que mudou: escolha, rationale, implicação, estado e alternativas rejeitadas.

P4

Tarefa não é conhecimento

Task cockpit mostra trabalho vivo. Quando há resultado durável, promove-se para decisão, fonte, output, nota de projeto ou runbook.

P5

Procedimento vive fora do chat

Se um processo se repete, vira runbook, prompt operacional, script, snippet ou instrução de projeto.

P6

O sistema deve saber esquecer

Nem tudo é capturado. Ideias sem função clara podem ficar fora, estacionadas ou arquivadas.

02 · Arquitetura mínima

Uma estrutura de referência

Esta estrutura é inspirada no Xavier, mas pode ser implementada com Obsidian, pastas Markdown, Notion ou outro sistema.

Camadas recomendadas

00 System        # constituição, schema, templates, logs
10 Dashboard     # home, cockpit, decisões abertas, visão atual
20 Inbox         # capturas temporárias e material por processar
30 Projects      # projetos, dashboards, decisões, outputs, tarefas situadas
40 Knowledge     # conceitos, sínteses e frameworks reutilizáveis
50 Operations    # runbooks, automações, backups, integrações, agentes
60 Sources       # fontes/proveniência: artigos, vídeos, documentos, transcrições
70 Assets        # imagens, PDFs, anexos e media de suporte
90 Archive       # material antigo, superseded ou fechado
Alternativa simples

Se não quiser Johnny.Decimal

  • System
  • Dashboard
  • Inbox
  • Projects
  • Knowledge
  • Operations
  • Sources
  • Archive
Quando usar JD

Johnny.Decimal como endereço

Usa JD se quiseres referir notas rapidamente em conversa: “volta à 33.12”, “a regra está na 02.05”. JD é endereço e governo de propriedade, não taxonomia total.

Regra importante: folders dizem quem é dono. Links dizem onde é útil. Metadados dizem se ainda está fiável.
03 · Routing matrix

O que acontece quando entra material novo?

Esta é a peça mais prática. A pessoa fala normalmente; o sistema decide o destino com base no estatuto.

Entrada
Destino padrão
Regra
Pergunta simples
Resposta direta
Não capturar salvo se fechar uma decisão.
Fonte externa
Sources / Source Box
Guardar proveniência, autor, URL/data e utilidade. Não confundir com conclusão.
Ideia reutilizável
Knowledge / Concepts
Promover só se servir vários usos futuros.
Decisão fechada
Decision Register
Registar decisão, rationale, implicação, estado e opções rejeitadas.
Tarefa com próxima ação
Task cockpit / projeto
Precisa de ação, estado, contexto e dono/owner se aplicável.
Procedimento repetível
Operations / runbook
Guardar passos, pitfalls e verificação.
Evento operacional
Vault/System Log
Registar só se muda estado ou é útil para auditoria.
Preferência estável
Memória do agente
Compacta, durável, sem segredos, útil para futuras conversas.
Ambíguo/sensível
Opções numeradas
Propor destinos e esperar decisão.
04 · Templates mínimos

Começa com poucos formatos

Templates demais criam burocracia. Estes quatro chegam para começar.

Decision Register entry

### YYYY-MM-DD — Título da decisão

- Decision:
- Rationale:
- Implication:
- Status: active | proposed | superseded | deferred
- Options rejected:
  - Alternative A — rejected because [reason]
- Source:
- Related:

Source note

---
type: source
status: active
captured: YYYY-MM-DD
source_url:
---

# Título

## Proveniência
- Autor:
- URL:
- Data:

## Porque pode interessar

## Conteúdo / excerto

## Possíveis usos
- Projeto:
- Conceito:
- Tarefa:

Project dashboard

# Projeto

## Estado atual

## Decisões-chave

## Próximas ações

## Fontes / evidência

## Outputs

## Questões abertas

## Links canónicos

Runbook

# Runbook: Nome

## Quando usar

## Pré-requisitos

## Passos
1.
2.
3.

## Pitfalls

## Verificação

## Rollback / alternativa
05 · Memória do Claude/agente

O que deve influenciar todas as conversas?

Trata a memória global como uma superfície de alto impacto. Ela deve ser curta, declarativa e curada.

Entram bem

  • preferências estáveis de comunicação;
  • papéis/projetos duráveis;
  • regras de routing realmente recorrentes;
  • factos de ambiente que poupam steering;
  • correções que não queres repetir.

Não entram

  • task progress;
  • logs de trabalho concluído;
  • números de PR/commits/issues;
  • fontes longas;
  • procedimentos;
  • segredos, tokens, passwords, dados sensíveis.

Teste de admissão

Guardar isto em memória global?

1. Ainda será verdade em 7 dias?
2. Reduz steering futuro?
3. É estável e compacto?
4. Não pertence melhor a uma nota, decisão ou runbook?
5. Está livre de segredos/dados sensíveis?
06 · Task cockpit

Trabalho vivo precisa de estado, não de arquivo eterno

Podes usar Kanban, Notion database, Markdown tasks ou outra vista. O importante é separar tarefa de memória.

Campos mínimos

  • título acionável;
  • estado: inbox, next, doing, blocked, review, parked;
  • área/projeto;
  • próxima ação;
  • bloqueio, se existir;
  • link para nota owner.

Regra de done

Uma tarefa concluída não é automaticamente conhecimento. Se gerou uma decisão, fonte, output ou procedimento, promove. Se não, pode desaparecer após revisão.

Exemplo Markdown

- [ ] Rever artigo X para decidir se entra no mapa de literatura #area/phd #status/next
  - Próxima ação: ler abstract + método
  - Owner: 37.04 Literature Map
  - Output: decisão source-only vs concept note
07 · Revisão e anti-bloat

O sistema precisa de manutenção, mas pouca

A revisão não deve virar projeto. Deve impedir sedimentação.

Revisão semanal leve

Ver inbox, tarefas bloqueadas, decisões novas, fontes não processadas e notas que entraram sem owner claro.

Revisão mensal de memória

Perguntar o que a memória global deve esquecer, compactar ou transformar em nota/runbook.

Revisão de freshness

Só em notas críticas: dashboards, decision registers, runbooks, trackers e sínteses ativas.

Regra de limpeza

Se uma coisa não tem dono, uso, estado ou caminho de promoção, provavelmente não merece ficar ativa.

08 · Checklist de implementação

Pronto para começar

Quando estes pontos estão decididos, a pessoa pode escolher a metodologia com muito menos risco.

Decisões mínimas

  • propósito do sistema escrito;
  • 5-9 tipos de objeto definidos;
  • critério de memória global definido;
  • decision register criado;
  • regras de fontes definidas;
  • task cockpit criado;
  • 2 templates operacionais criados;
  • regra de revisão semanal definida.

Primeira semana

  • não migrar tudo;
  • capturar só material real;
  • testar routing em 10 entradas;
  • ver onde há ambiguidade;
  • ajustar constituição;
  • só depois sofisticar ferramentas.
Regra final: se o sistema ainda não sabe decidir se algo é fonte, decisão, tarefa, memória ou procedimento, ainda não precisa de mais automação.